In Séries

The Crown e o vício pela realeza britânica

A primeira produção original da Netflix que assisti foi Marco Polo. Na verdade, eu só tentei assistir, porque foi decepcionante. Desde então, deixei de superestimar as produções dessa casa e tentei deixar as expectativas de lado sempre que algum título novo me interessava.

Pra gente viajar um pouco até as terras monárquicas, bora ouvir aqui um som da ilha inglesa.

Quando The Crown foi anunciada, não achei grande coisa. Pensei aqui com meus botões “Lai vai, mais uma historinha pra deixar a família real bem Pop”. Mas a história da Europa Ocidental me desperta o interesse desde a 6ª série do ensino fundamental, e eu não poderia deixar de ficar curioso com essa era mais contemporânea da história.

O seriado, que estreou no comecinho de novembro de 2016, não tem um objeto central para ser chamado de “biográfico”. Ele pode mostrar a mulher por trás da Coroa, Elizabeth Alexandra Mary, ou pode puxar detrás dela a mulher política, Rainha Elizabeth II, e, por vezes, abusa da boa vontade do espectador e exagera no tempo de tela de alguns parentes de Elizabeth. Dessa forma, fica a dúvida:

The Crown veio pra contar o quê, exatamente?

Não duvido que os casos trazidos por essa produção da Netflix tenham sido extremamente romantizados. Por vezes, a série expande e ousa em ser política sugestiva, minimalista, com trocas intensas de olhares e lábios trêmulos de ansiedade de quem se dirige ao Winston Churchill e quando o próprio Churchill se dirige à Coroa.

Mas, em outros momentos, a narrativa retrai e parece que assistimos a uma outra coisa… e não é ruim. Mostrar a intimidade de uma das mulheres que mais concentra poder nas mãos é o desafio: torná-la humana e acessível ao povo é dar aquele close no rosto de Claire Foy, mostrar como suas mãos param de tremer de nervosismo, como sua voz se projeta melhor e como seu semblante passa de insípido para caloroso durante os anos de audiências, aparições públicas e, talvez o mais importante e inexplorado, seus anos de esposa e mãe.

Os silêncios, aqui, são capazes de transmitir sensações mais intensas que um discurso esperançoso de paz mundial. São as discussões interrompidas ou não proferidas entre Elizabeth e Philip (Matt Smith), muitas vezes com olhares que nem se cruzam; são as lágrimas de remorso e decepção de Margaret (Vanessa Kirby); e ainda tem as caras estupefatas do Churchill, cheias de descrença da eficiência de Elizabeth.

Falando em Churchill, há de se exaltar a saudosíssima atuação de John Lithgow. Que fique claro o quanto não simpatizo com a figura de Churchill. Seu autoritarismo disfarçado de esperança, em tempos de guerra, pode ter salvo alguns milhões de pessoas. Mas vale lembrar que outros milhões morreram esmagados na sola do seu sapato. Herói de quem? Herói pra quem, mesmo?

Tá pensando que é o bixão, é? Toma aqui um biscoito Churchill.

E é justamente na atuação de John Lithgow que o símbolo de poderio militar se derrete. Homem forte? Talvez. Mas até quando? Até que ponto? Quanto orgulho uma pessoa pode sustentar dentro de si para manter as aparências de uma política decadente? Talvez, e este pode ter sido o mote para demonstrar Churchill no seriado, John Lithgow ficou responsável por entregar tristeza e tragédia num homem que vestia a máscara da soberba e da arrogância até na privacidade do próprio lar.

No fim, é Lithgow rainha, Churchill nadinha. Não é à toa que o homem foi indicado ao Critics’ Choice Television Awards e Screen Actors Guild Awards, e levou o Golden Globe de melhor ator coadjuvante em minissérie. O que falar, então, da Claire Foy levando os prêmios de melhor atriz em série de drama no Golden Globe, Critics’ Choice e Screen Actors Guild? É talento demais numa única produção. Prêmios merecidos a uma série que não ficou apenas na exaltação da família real britânica e não ficou só apontando o dedo aos erros, mas resolveu explorá-los e dissecá-los ao público.

Aqui no Desfalk, The Crown leva 4,5 miopias, quais nota 10. 🐣

 

Pra quem acha que eu terminei, calmaí tá kiridinha?! 💅

Assim que terminei de assistir The Crown, fiquei na ânsia de assistir tudo que existe sobre a realeza britânica. E aí eu fiz uma lista no Filmow com séries, filmes e documentários que exploram a história da política monárquica inglesa. Confere aí:

Séries

> The Hollow Crown
> The Tudors
> The White Queen
> Victoria
> The Crown
> Reign

Filmes e documentários

> A Outra
> Elizabeth
> Elizabeth – A Era de Ouro
> Elizabeth I
> O Discurso do Rei
> A Rainha
> Diana
> A Dama de Ferro
> Margaret Thatcher – A Dama de Ferro

Pronto, agora a realeza tá completa.

Fica o convite a quem quiser me acompanhar nessa empreitada de ver essa ruma de coisa em 2017. Se quiser contribuir com a lista, basta falar aqui ou você mesmo inclui lá no Filmow. The Crown já foi e The Tudors está em processo de assistimento. Um belo dia, trago um update dessa lista, fechou?!

~ ~ ~

Dedico este texto aos 65 anos de reinado de Elizabeth II. Persevera, mulher! Tu é mais foda do que te mostram pelo mundo. Mais do que nunca: God save the Queen.

Rainha, né, mores?

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