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Quando Tarkin ataca Star Wars

Universo expandido não é algo 100% bem recebido pelos fãs de filmes e séries clássicos. Star Trek teve várias produções explorando outros ângulos do mesmo universo. Marvel e DC estão sempre renovando e criando mais estórias paralelas às originais. J. K. Rowling começou a expandir Harry Potter com a peça Cursed Child e a nova saga Animais Fantásticos. Mas é bem provável que nada se compare com o universo expandido de Star Wars.

>> Quem é Tarkin na galáxia
>> O enredo
>> Por fim
>> 1 adendo: Bienal do Livro

Pra gente se sentir confortável nesse universo expandido, a Playstation Music preparou essa playlist pro jogo Star Wars Battlefront que tá cheia de referências da saga. Bora ouvir!

Iniciei no universo expandido de Star Wars pela Trilogia Thrawn, de Timothy Zahn, e senti a todo momento que aquilo definitivamente fazia parte da saga. Foi rapidinho, então, que parti pra outro livro e outro autor: Star Wars – Tarkin, de James Luceno (Editora Aleph, 2015, 368 páginas).

Timothy Zahn foi autorizado diretamente por George Lucas a publicar a série como a “verdadeira” continuação dos filmes a partir de O Retorno de Jedi. Já James Luceno entrou no grupo criativo de Star Wars depois que a Disney adquiriu todos os direitos sobre a estória criada por George Lucas.

Enganação pode acabar sendo o menor recurso de nossos adversários desconhecidos.” – página 38

Temos aqui algumas diferenças: George Lucas era a mente que centralizava tudo e pensava em todos os detalhes. Já a Disney possui uma equipe criativa que define a narrativa dos filmes, livros, HQs e jogos, e aponta o que é “lenda” e o que é, definitivamente, oficial. No meio desse “oficial” tem Tarkin, que nem de longe chega a ser audacioso e imersivo como o primeiro volume da Trilogia Thrawn, Herdeiro do Império (Aleph, 2014, 480 páginas).

Quem é Tarkin na galáxia

Cronologicamente (para nós), Tarkin apareceu a primeira vez como o comandante da Estrela da Morte em SW4 – A Nova Esperança. Mas, como Tarkin é simplesmente uma pessoa comum (não é Jedi, Sith ou de espécie alienígena), ele se apaga e se perde no meio de raios e sabres de luz, e é totalmente ofuscado por Darth Vader.

Vader poderia muito bem ser o Cavaleiro Jedi Anakin Skywalker, ao lado de quem Tarkin combatera durante as Guerras Clônicas, e por quem tinha desenvolvido apreço relutante.” – página 111

Muitos fãs pediam uma participação mais intensa de Tarkin nos filmes, e aí veio SW3 – A Vingança dos Sith, onde Tarkin aparece mais jovem. Infelizmente, mais uma vez, ele é negligenciado e ninguém tem conhecimento da iniciação dele no Sistema Imperial de Palpatine. Eis que chega James Luceno pra contar essa tão sonhada história.

Há muito tempo, numa galáxio muito. muito distante…

O enredo

Em Star Wars – Tarkin estamos na expansão do Império de Palpatine e a Estrela da Morte está começando a sair do papel. A trama está situada entre os episódios 3 e 4 da saga, na qual conhecemos um Tarkin ágil e esperto, respeitado por todos os subordinados, por Palpatine / Darth Sidious e por Darth Vader. Seu pensamento rápido instiga as primeiras cenas do livro, quando ele deve lidar com um ataque à base no qual é comandante: sua desenvoltura é espetacular.

Com a sucessão desses ataques misteriosos, uma das melhores naves do Império, sob domínio de Tarkin, acaba sendo roubada supostamente pelos rebeldes. Vader e Tarkin se unem, iniciando uma perseguição por essa nave em nome do Imperador. Os diálogos entre os dois são um deleite… a menos que Tarkin se empolgue e passe quase 6 páginas  inteiras sem respirar, sem pausa, sem parágrafo.

No geral, o clima do livro é não é tão obscuro quanto haveria de se imaginar. Estamos na mente de um simpatizante do imperador, então é de se esperar que hajam certas mensagens simpatizantes com o governo opressor. Além disso, de vez em quando, o leitor é presenteado com uma perspectiva mais interna do Império, diretamente da sala de Palpatine. E esses são os momentos mais interessantes do livro.

Talvez fosse suficiente saber que a lei e a ordem tinham finalmente triunfado sobre a corrupção e a indulgência, duas marcas inconfundíveis da República.” – página 89

É aqui o coração da história: o relato da governância opressora vista de dentro. O protagonismo é da maneira de Palpatine governar, com base no medo, no caos e no confronto de seus subordinados, para que cada um busque se sobressair diante do outro. Como Lorde Sith, ele se alimenta da raiva e do ódio ao redor, e, antes de espalhar seu poder pelas galáxias, ele mostra o quanto sente prazer em instaurar, primeiramente, a desordem.

Você viu os cartazes de recrutamento: ‘sirva o Império e seja uma pessoa melhor por isso!’. Seu estômago não revira com uma coisa dessas, não?” – página 238

Esse foi o erro. O mais interessante do livro não tem uma pontinha da unha de Tarkin. Esperava, sim, ver os bastidores do Império, mas não que essa fosse a real essência do enredo. Tarkin, mais uma vez, acabou ficando de cantinho e, o que seria sua biografia, acabou azedando, de forma que seu treinamento enquanto jovem não tem a mínima força. Tudo que vem à mente é “Quando eu vou ver Palpatine de novo?”, e isso não está certo. Quanto à Estrela da Morte, totalmente esquecida: se é mencionada 2 vezes, é muito.

Por fim…

James Luceno também é autor de Star Wars – Darth Plagueis (Aleph, 2016, 440 páginas), um personagem extremamente enigmático da saga que foi mencionado nos filmes apenas uma vez. Entretanto né, com essa impressão que James Luceno deixou, vai demorar uns belos anos pra retornar à escrita dele.

As forças armadas estavam repletas do que se recusavam a aceitar que danos colaterais eram totalmente admissíveis quando serviam à promoção de uma causa imperial. Na ausência de ordem, havia tão somente o caos.” – página 308

Star Wars: Tarkin levou 3 miopias, e nada mais que isso, mesmo com o trabalho da editora Aleph tendo uma boa diagramação, detalhes visuais agradáveis nas pausas entre capítulos e até o marcador de páginas em forma de sabre de luz. Tem estória que nem um bom trabalho cuidadoso consegue deixar melhor.

Star Wars – Tarkin
Edição de 2015 da Aleph
ISBN: 9788576572619
368 páginas
Skoob | Goodreads
Onde encontrar: Amazon BR

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1 adendo – Bienal do Livro

A XII Bienal Internacional do Livro do Ceará começa hoje, 14/04, e prossegue até o dia 23/04 com a maior parte da programação ocorrendo em Fortaleza no Centro de Eventos do Ceará (Av. Washington Soares, 999 – bairro Edson Queiroz). Especialmente pro público geek, tem programação especial nas salas 8, 9 e 10 do mezanino 2 do Centro de Eventos. São exposições, debates e o consagrado espaço para jogos de RPG.

Pra quem não se aguenta quando vê o nome de J. R. R. Tolkien, vai haver um workshop sobre o processo criativo do autor no sábado, 15. E mais: tem o Espaço Harry Potter: Mundo Mágico de JK Rowling e a literatura fantástica nos dias 15 e 16. E lá no último sábado, 22, rola a mesa “De Rachel de Queiroz a J.K. Rowling: O crescimento feminino” na literatura na sala 8 do mezanino 2.

Veja a programação completa aqui.

É coisa demais, minha gente! Demorou (e como demorou!), mas chegou. Então, bora aproveitar a chance de curtir esses espaços.

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6 Responses to Quando Tarkin ataca Star Wars

  1. Muito bom o seu post!!!! Meu marido gosta muito de Star Wars e eu vou na onda e também assisto, inclusive já assistimos Rogue One! kkkkk. Muito interessante a história! Vou indicar a playlist para meus conhecidos fanáticos por Star Wars!

  2. HAHAHAHA. Cara, eu nunca li nenhum livro da saga, mas sou amante de Star Trek. Eu ganhei um livro de SW, mas confesso que estou com muit medo de ler e perder informações e me decepcionar. Não faço a mínima ideia de onde ele se encaixa. No mais, eu gostei da sua publicação. Parabéns. E quando eu crescer, quero ser apaixonado por SW como você.

  3. Rodrigo Costa disse:

    Poxa, só vou pra bienal na terça-feira e tentarei ir na sexta novamente. Seu post tá lindo mas viajo legal nesse universo de Star Wars, assisti os primeiros filmes mas quando chegou nas produções mais recentes eu parei, já os livros acho lindos também mas não me atiçou muito a curiosidade, não.

  4. Esther De Sa disse:

    Olá, tudo bem?
    Acredita que nunca li Star Wars? Sempre assisto os filmes, mas acho bem difícil compreender a ligação de uma história com a outra. Então é uma série que eu não leria, mas isso não diminuiu o seu merecimento.
    Beijos!

  5. oh meu Deus eu não consigo entender esse mundo SW meu marido já me deu aula, fez resumo,mostrou filme, me deu livro e eu não consigo alcançar a saga de jeito nenhum, vou ver se depois de ler sua resenha eu me animo,beijos.

  6. Alice Martins disse:

    Olá, tudo bem?

    Então, provavelmente sou uma das únicas pessoas que não leu e nem assistiu Star Wars. Mesmo tendo curiosidade sobre este universo que é tão particular e que desperta tanta paixão nos leitores pelo mundo, ainda sinto que não é a minha hora de ler a obra. Adorei seu post, foi uma ótima forma de eu adentrar mais afundo neste universo e entender algumas particularidades! Parabéns!

    Beijos!

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