In Filmes, Reflexões

O cinema delas: 5 filmes de mulheres roteiristas

Sempre que me perguntam “Você viu tal filme?” e eu respondo perguntando “E deveria ter visto?” e a pessoa responde “Claro, ganhou o Oscar!”, eu olho com muita desconfiança. Já caí nessa de levar ao máximo crédito os filmes que são listados pelo Oscar. Também já tive boas surpresas, mas muitos dos temas, dos nomes que estão sempre por lá, é pouquíssima coisa que me cativa.

Em 2016, tivemos 10 filmes no total nas categorias de Roteiro Original e Roteiro Adaptado. Em Roteiro Original, de 14 dos nomes que constam nos créditos, estavam apenas 2 mulheres: Meg LeFauve, por Divertida Mente (Inside Out, 2015, EUA, 94 min), e Andrea Berloff, por Straight Outta Compton: A história do N.W.A. (Straight Outta Compton, 2015, EUA, 147 min). E em Roteiro Adaptado, dos 6 nomes, haviam 2 mulheres: Phyllis Nagy, por Carol (Carol, EUA/UK, 2015, 118 min), e Emma Donoghue, por O Quarto de Jack (Room, CAN/IRL, 2015, 117 min).

Nesse ano de 2017, a categoria de Roteiro Original não tinha um único filme creditado a uma mulher. Isso quer dizer que só filmes roteirizados por homens são bons? Não mesmo, nem quer dizer que esses filmes sejam sequer bons, como também podem ser, ao gosto de cada um. Quanto à categoria Roteiro Adaptado, apenas Estrelas Além do Tempo (Hidden Figures – EUA, 2016, 127 min) inclui uma mulher entre os créditos de colaboração de roteiro: Allison Schroeder.

Eu apostava muito em Hidden Figures pelo simples fato de incluir nomes tão fortes e com trabalhos tão significativos quanto Octavia Spencer, Taraji P. Henson e Janelle Monáe. Por conhecimento e familiaridade com a artista, sei muito bem que Janelle nunca entra em um projeto no qual ela não confie 100%. Então, desde o começo de 2015, quando foi anunciada a produção, fiquei ansiando por esse filme. Foi uma breve surpresa encontra-lo, portanto, entre os indicados ao Oscar. Mas, na boa, Oscar mede mesmo a qualidade e a importância social, política e cultural de uma produção?

Festivais de cinema em Fortaleza

Eu não confio no Oscar. Bato o pé, sim! E, se a gente pode ir atrás de outras produções, assim deveríamos fazer. Aqui em Fortaleza, recebemos festivais de cinema com valores de ingresso bem acessíveis ou até de graça, e com horários bem amplos de exibição nos equipamentos culturais da cidade. For Rainbow – Festival de Cinema e Cultura da Diversidade Sexual e Festival Varilux de Cinema Francês são apenas alguns exemplos. Ai, e vale demais apontar também o Cine Ceará, que traz uma programação linda de cinema com filmes que vão dos mais famosos aos menos conhecidos (mas não menos importantes).

Sucesso comercial é mérito de toda a produção envolvida e uma resposta direta do público: sinal de que muita gente por aí foi cativada. Prêmios são outro tipo de reconhecimento desse sucesso. Mas, muitas vezes, tem um filme e outro que a gente só consegue ter acesso pelo trailer e, depois, através de uns certos métodos de compartilhamento de arquivos para uso próprio. Afinal, de outra forma essas peças nunca seriam vistas e conhecidas pelo mundo se o comércio do cinema não se prontifica a divulgar esses trabalhos?

Pessoalmente, eu valorizo demais as indicações de amigos (a não ser quando se trata de um filme do Oscar – nesse caso faço a Teimosiane Mello e vou empurrando com a barriga até realmente bater a vontade de ver). E é valorizando as dicas de algumas amigas que vim propor aqui de vermos esses 5 filmes que listei. E sabe o que é melhor? Todos eles foram escritos por mulheres de vários cantos do mundo. 

Incompreendida

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Título original: Incompresa
2014 (Cannes) – 2015 (Itália)
Itália / França
103 minutos

Asia Argento e Barbara Alberti assinam o roteiro dessa produção. Asia nasceu em Roma, tem 41 anos, é filha do cineasta italiano Dario Argento, mas em muito se difere do pai. Atriz, diretora e roteirista, Asia foi chamada a levar Incompresa para Cannes, em 2014, na mostra Un Certain Regard (Um Certo Olhar). O filme foi levado às telas com a ajuda de financiamento coletivo promovido por Asia.

Incompresa é um drama que vem narrar os conflitos de Aria (Giulia Salerno), uma menina bem sensitiva com uma aparência sempre frágil. Rodeada de personagens que fluem do grotesco ao caricatural, Aria tem um ar de melancolia que instiga a conhecer sua história do começo ao fim.

Rotten Tomatoes: 80%
IMDB: 6,7 / 10
Filmow: 3.8 / 5

 

Nahid – Amor e Liberdade

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Título original: Nahid
2015
Irã
105 minutos

Ida Panahandeh passou 10 anos trabalhando em TV, curtas e documentários até, enfim, se lançar ao mundo no longe de ficção Nahid. Para Ida, esse trabalho representa o combate das mães iranianas às regras sociais e cívicas impostas a elas para serem respeitadas como mulheres independentes.

O filme foi exibido em Cannes, no Um Certain Regard de 2015, e conta sobre a vida de Nahid (Sareh Bayat), uma mulher que decide se separar do marido que, por sua vez, diz que Nahid só terá a guarda do filho se ela não se casar com mais ninguém. Dessa forma, Nahid passa a cuidar, sozinha, do filho e sem ajuda alguma do pai do menino.

Rotten Tomatoes (audiência): 71%
IMDB: 6,5 / 10
Filmow: 3.4 / 5

 

The Stopover

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Título original: Voir du Pays
2016
França / Grécia
102 minutos

Dirigido e roteirizado pelas irmãs Delphine Coulin e Muriel Coulin, Voir du Pays levou o prêmio de melhor roteiro no Un Certain Regard do Festival de Cannes de 2016. Outro filme de grande destaque das irmãs foi 17 Girls, apresentado no Festival de Cannes de 2011, que conta sobre um grupo de adolescentes americanas que resolveram engravidar todas ao mesmo tempo.

Voir du Pays retratam Marine (Soko) e Aurore (Ariane Labed), duas mulheres que se alistaram no exército francês e haviam sido convocadas para a servir no Afeganistão durante um período. No retorno, todo o pelotão do qual fazem parte vai para um hotel de luxo em Chipre, a fim de se readaptarem ao convívio comum.

Rotten Tomatoes: 100%
IMDB: 6,5 / 10
Filmow: 3.5 / 5

 

Virgem Juramentada

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Título original: Vergine giurata
2015
Itália / Suíça / Alemanha / Albânia / Kosovo
90 minutos

Elvira Dones e Laura Bispuri trabalharam juntas na roteirização desse filme. Laura Bispuri ainda trabalhou na direção desse projeto, que figurou entre os principais títulos do Festival Internacional de Cinema de Berlim de 2015. Elvira Dones é ainda escritora e produtora, autora do livro que deu origem ao Virgem Juramentada, com o título de Sworn Virgin.

A trama nos envolve na vida de Hana (Alba Rohrwacher), uma mulher que vive nos alpes da Albânia e faz um juramento oficial declarando jamais ter relações sexuais, casar e ter filhos, e, sendo assim, deve assumir uma identidade masculina. Hana passa a atender sob o nome de Mark e assim vive até começar a questionar a construção da própria sexualidade.

Rotten Tomatoes: 75%
IMDB: 6,3 / 10
Filmow: 3.5 / 5

 

O Julgamento de Viviane Amsalem

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Título original: Get — Ha’mishpat shel Vivian Amsalem
2014
Israel / França
115 minutos

Ronit Elkabetz assina o roteiro e a direção desse filme, junto de Shomli Elkabetz. Ronit ainda atua como a protagonista Viviane Amsalem, uma mulher casada há 20 anos que, enfim, decide lutar para se divorciar do marido. Seu pedido, entretanto, é negado pelo esposo e pelas condições religiosas em Israel, que limitam união e dissolução de relações somente aos rabinos.

Esse é o terceiro filme de uma trilogia que aborda os conflitos no casamento de Viviane Amsalem, sendo o primeiro To take a wife (VeLakahta Lekha Isha – 2004) e o segundo Shiva (2008), também dirigido, roteirizado e estrelado por Ronit. Em 2010, Ronit recebeu um prêmio da Academia Israelense de Cinema pelas contribuições dela à arte do país. Infelizmente, e com muita tristeza, Ronit faleceu em em 19 de abril de 2016, acometida pelo câncer.

Rotten Tomatoes: 100%
IMDB: 7,7 / 10
Filmow: 4.3 / 5

 

E é isso aí, minha gente. Fui somando indicações de várias pessoas ao longo dos últimos 5 anos, separei as que tem mulheres assinando roteiro e joguei numa lista lá no Filmow. Tem bem poucos, 14 títulos. Quem quiser contribuir, seria uma troca deliciosa de se fazer. Bora?

 

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Esta publicação integra as postagens temáticas para o Mês das Mulheres no ano de 2017. Clicando aqui você pode ler sobre o trabalho de mais mulheres na música, na literatura, na TV, no cinema e em outros tipos de arte.
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