In Literatura

Novos escritores e um cafezinho com André Vianco

Acabou a XII Bienal do Livro do Ceará, agora só daqui a 2 anos… ou 3, né? O evento aconteceu em Fortaleza, no Centro de Eventos do Ceará, de 14 a 23/04 com o tema Cada pessoa, um livro; o mundo, a biblioteca. A tradicional feira de livros foi, sem dúvidas, o maior destaque. Mas nas ruas e esquinas entre os stands, nas pracinhas e nos espaços de palestras, lançamentos literários ocorriam a todo momento e novos escritores chegavam ao mundo.

Trabalhos autorais pipocavam a todo instante. A cada dia, haviam pelo menos uns 5 lançamentos formais e informais. Um desses instantes simbólicos foi o nascimento da Fernanda de Façanha como escritora, com o seu Revirando Meu Guarda Roupa. Amiga que admiro o trabalho e o astral como pessoa, profissional jornalista e, agora, escritora, Fernanda esteve presente por vários dias na Bienal divulgando sua cria, surgida na ideia de uma redação na escola.

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Publicado pela editora Caminhar e com ilustrações de Eduardo Azevedo, Revirando Meu Guarda Roupa se dirige propriamente às crianças. Mas não é por isso que adulto deve deixar de ler. Pelas frases que captei numa rápida folheada pelo livro, tem muito sentimento de nostálgica inocência que acabamos deixando pra trás, escondida em algum cantinho da memória.

Quem ficou curioso, pode incentivar o sucesso de Revirando Meu Guarda Roupa adquirindo a obra na Livraria Ler, em Fortaleza (Shopping Aldeota / Shopping Parangaba), e também com a própria autora no valor de R$ 30,00. Claro que comprando com a Fernanda, ela faz aquela dedicatória bonita, né?! O email dela para contato é fernandadefacanhac@gmail.com. Sigam ela no Instagram @FernandaPeloMundo e acompanhem ela no Facebook que já já ela traz mais novidades, inclusive contando pra gente aonde que ela vai levar o Revirando Meu Guarda Roupa!

O brilho nos olhos e o sorriso devem ser reações automáticas pra escritores que jogam pro mundo um trabalho novo. O orgulho acaba fluindo da pessoa para nós e fica impossível não sentir, dentro de si, a vitória alheia. Foi a mesma sensação que tive quando encontrei com a Kamile Girão e ela me entregou, em mãos, o seu Fisheye.

Crowdfunding

Lá pelo mês de dezembro de 2016, apareceu uma campanha de financiamento coletivo no meu feed do Facebook. Quando abri, era para incentivar a produção do novo livro de uma escritora cearense, que eu até já havia esbarrado pela universidade. Botei meu incentivo no Catarse e, pouco tempo depois, com menos de 1 mês de campanha, o financiamento bateu a meta. E melhor: os incentivos continuaram chegando!

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Lançado pela editora Wish, esse livro era o Fisheye, da Kamile Girão, estudante, designer, revisora, escritora já com 2 livros na bagagem, Yume e Outubro, e mais uns contos espalhados por aí. Em Fisheye, conhecemos Ravena Sombra, uma adolescente no seu 3º ano do Ensino Médio vivendo no estresse de vestibular que descobre ter desenvolvido retinose pigmentar, uma doença que degenera a visão. No primeiro capítulo (leia aqui), já percebemos a representatividade homossexual em um dos personagens e, claro, a influência da cultura geek na escrita de Kamile, mencionando Tim Burton e Star Wars.

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Edição de 2017 da editora Wish
ISBN: 9788567566061
316 páginas
Skoob
Onde encontrar: editora Wish

Kamile agendou a entrega de alguns exemplares para o dia 15/04 durante a Bienal do Livro do Ceará, numa ocasião em que conversaria com Rodrigo Passolargo e outros colaboradores da antologia Vilões, também publicado pela editora Wish. Vilões, com organização de Kamile Girão, apresenta 15 contos inéditos de escritores iniciantes que irão explorar a história e a psicologia tão complexa dos personagens a quem dedicamos boa parte da nossa raiva.

Edição de 2017 da editora Wish
ISBN: 9788567566078
152 páginas
Skoob
Onde encontrar: editora Wish

Durante essa conversa sobre Vilões no stand da Associação dos Bibliotecários do Ceará, Kamile e Rodrigo mencionaram que a editora Wish havia aberto inscrições para submissão de contos a uma nova antologia. Mundo Invertido irá apresentar 20 contos inéditos (10 de autores selecionados e 10 de autores convidados) com temas envolvendo suspense e terror nos anos 1980.

Ficou interessado? Pois aproveita que a submissão de inéditos ocorre até o dia 5 de junho de 2017. Todas as informações estão no edital no site da Wish. Esse também terá campanha de financiamento coletivo, fiquem ligados pra dar aquela ajudinha!

Cafezinho com André Vianco

Já que toquei no assunto do suspense e do terror, nada melhor que falar do mestre do obscuro fantástico no Brasil: André Vianco. Autor de Os Sete, Sétimo, as trilogias O Turno da Noite e Vampiro-Rei e, agora, de Dartana, André Vianco apareceu na Bienal do Livro no dia 19 pra conversar sobre as diferentes narrativas construídas pra cada plataforma: livro, audiovisual e games na era do YouTube e da Netflix.

Antes da palestra, entretanto, tive a oportunidade de conversar com o escritor, em exclusiva, com a Andressa Souza, do blog Coadjuvando. Naquela meia horinha, os assuntos fluíram do início da carreira como escritor até as formas como o escritor iniciante entra no mercado editorial atualmente.

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Quando começou, André Vianco revela que sua literatura prosperou porque ele tratou o leitor como adulto, em um momento no qual o mercado editorial se interessava mais por literatura infanto-juvenil com uma aura mais infantil. Num momento em que não havia muito destaque editorial para a literatura fantástica nacional, Vianco investia em contato e relacionamento com o pequeno livreiro e empreendimentos familiares, a fim de ir cativando o seu público gradativamente.

Eu ainda acredito demais na autopublicação. Mas os escritores têm que diminuir um pouco essa voracidade de ver o livro impresso em uma livraria, pra conquistar o leitor primeiro. Conquistar o leitor nas redes sociais, conquistar o leitor através de um blog.

Da forma como enxerga, Vianco procura conquistar o leitor a cada novo drama contado. Escritor em tempo integral, não cansa de repetir os processos de criação: enquanto desenvolve uma trama, está revisando outra e já pensando nas próximas produções. No meio dessa rotina, ele oferece dicas, cursos e workshops através da newsletter Vivendo de Inventar.

Os escritores não enxergam o caminho profissionalizado de entregar as histórias. São muito empíricos. É bem-vindo construir aquela estória por intuição. Mas, se você quer viver de contar histórias, tem um caminho mais consciente pra fazer isso.

Aos novos escritores surgindo no mercado, Vianco indica que não haja dependência exclusiva sobre o trabalho da escrita. Segundo ele, é tão difícil viver no Brasil de literatura quanto em qualquer lugar do mundo. A contação de histórias é uma área para dedicação de longo prazo, pois pode demorar até que o escritor alcance o status de independência com as letras.

Os caminhos para o sucesso são vários. Do crowdfunding às parcerias com editoras, iniciar nas artes literárias beirando o trabalho com os livros pode ser uma possibilidade. Revisão, edição e crítica, por exemplo, são algumas dessas bases e, como disse o próprio André Vianco:

Cada um acha o seu caminho, vai tornando possível.

***

A conversa foi longa e bem diversa, então vou deixar pra abrir mais um espectro dessa entrevista em outra postagem. Fiquem ligados!

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