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Os melhores de 2017: filme, série e livro

Aqui estão só os melhores de 2017. Entre todos os filmes, as séries e os livros do ano que passou, o que mais te encantou e surpreendeu? Qual emocionou e qual mais ensinou?

2017 acabou e posso tirar uma conclusão: foi um ano pra sair da zona de conforto. Com surpresa atrás de surpresa, fui desenrolando leituras de autores desconhecidos, de calhamaços com as suas 500 páginas ou mais, autores iniciantes, distopias adolescentes, romances adultos, ficção histórica, livro reportagem… E isso não se restringiu só aos livros. Foram também séries, filmes, música e até um teatro aqui e acolá: coisas que fazem parte do meu cotidiano de entretenimento.

Pensando nisso, vim contar pro mundo quais foram as obras do ano, só os melhores de 2017. Selecionei um (e só um, sem enrolações) filme, uma série e um livro. Mas ó, isso não significa que tenham sido lançados nesse ano, ok? São coisas que assisti / li no ano de 2017. Então, rambora:

Melhor filme de 2017

Sete minutos depois da meia noite (A Monster Calls)

Conor O’Malley é um menino que precisa lidar com a separação dos pais e o estágio avançado de câncer da mãe. Ele vive em constante negação das situações e não se permite dar vazão ao que tá sentindo. Até que começa a receber visitas de um monstro na forma de uma árvore de salgueiro e tudo começa a mudar.

O filme é uma adaptação do livro de mesmo título do autor Patrick Ness, Sete minutos depois da meia noite (A Monster Calls), publicado no Brasil pela editora Novo Conceito. O melhor de tudo é que a adaptação é simplesmente perfeita. Patrick Ness também assina o roteiro do filme e fez um trabalho excepcional de transmitir os mesmos sentimentos do livro num formato diferente. As atuações são impecáveis, principalmente do Lewis MacDougall, o carinha que interpreta Conor. Não é à toa que, pela atuação nesse filme, o menino foi indicado a 12 prêmios entre 2016 e 2017, tendo vencido 2 deles.

Existe um Falkner antes desse filme e outro depois dele. São 1h48min de pura intensidade e senti que via ali um pouco da minha própria história. É uma conversa sobre bullying, sobre ser verdadeiro consigo mesmo, sobre os limites entre alimentar uma culpa e buscar formas de se sentir bem. A sinopse pode parecer infantil ou lúdica demais, mas são metáforas capazes de quebrar cada uma das barreiras de quem, assim como eu, guarda muito pra si.

Assisti em janeiro de 2017, mas o filme estreou mesmo no fim de 2016. Aqui em Fortaleza, ficou pouquíssimas semanas em cartaz, mas é um filme que merece muito mais visibilidade do que realmente tem. É importante, é necessário e não foi só o melhor filme que vi em 2017, mas foi também o melhor que vi na vida. Como disse: antes dele eu era um, e agora eu sou outro.

Nota no Filmow: 4.2 de 5
Nota no Rotten Tomatoes: 86%
Desfalk: 5 de 5
Resenha completa aqui no Desfalk

 

Melhor série de 2017

Atypical

Não tem pra nenhuma distopia. Atypical é a mais pura realidade: uma comédia dramática que conta a história de Sam, um adolescente com Transtorno do Espectro Autista. Ele passa por várias situações que qualquer adolescente vive nesse período: o sufocamento da família, o bullying, a busca pela própria identidade e, claro, algumas paixonites. Inclusive sexo!

Pra tons de narrativa, Sam tem uma expressividade bem elevada. Mas nem por isso o drama deixa de acontecer. Sam não tem freios sociais na hora de falar com algumas pessoas, e é daí que surgem as gramas de comédia da série. Os episódios brincam até com o nosso pudor e joga na nossa cara que qualquer pessoa, independente de suas condições, pode e deve ter uma vida normal, com trabalho, namoro e vida sexual ativa à sua maneira.

Por ele ter uma percepção e uma comunicação diferente, Sam não consegue se ajustar, nem as outras pessoas parecem se esforçar pra que esse ajuste aconteça. Nesse momento, vemos as crises, o estresse e o desajuste afetando uma pessoa com autismo. É pura emoção e reflete com carinho e delicadeza (senão com autenticidade) o que é conviver e amar alguém no espectro autista.

PS: Destaque pra atuação linda de Brigette Lundy-Paine como a irmã-coruja Casey. QUE MULHER!

Nota Filmow: 4.3 de 5
Nota Rotten Tomatoes: 76%
Desfalk: 5 de 5

 

Melhor leitura de 2017

Monstress #01 – Awakening, de Marjorie Liu e Sana Takeda

Talvez alguém queira me dar uma pedrada na cabeça por não escolher As Alegrias da Maternidade, de Buchi Emecheta. E por muito pouco não escolhi mesmo! Mas eu já esperava que ele fosse me surpreender apenas por ter sido indicação da Chimamanda no clube de livros por assinatura da Tag Experiências Literárias.

Mas a surpresa foi 100% completa com Monstress. Não conhecia nada do enredo além da sinopse. De primeira, o que me atraiu foi a singularidade das ilustrações: super detalhadas, cheias de referências a culturas antigas (principalmente a egípcia, que amo) e lotada de empoderamento feminino.

Tem guerra, tem monstros, mutantes, espécies estranhas, gatos falantes e deuses antigos tão poderosos que, até depois da morte, a sombra deles permanecem vagando pelo mundo. É fantasia das pesadas, mas é tudo bem didático: nos intertítulos, tem gatinhos explicando o que significa cada coisa desse mundo de mistério.

E, óbvio, temos Maika Halfwolf, a protagonista que tá mais pra antiheroína do que mocinha. Ela quer mesmo é explodir umas bruxas que dissecam crianças pra extrair poder depois de uma guerra que varreu uma cidade inteira do mapa. Vale salientar ainda que essa é uma sociedade matriarcal e que são pouquíssimos os homens que aparecem. E a maioria deles morre (supera essa, Game of Thrones!)

Esse foi o 1º de uma série e o volume 3 já vai ser lançado no mês de março em inglês. Comprei numa mega promoção em inglês mesmo já que, na época, não tinha previsão de lançamento no Brasil. Eu até torci pra que a DarkSide Books lançasse por aqui no selo de HQs, mas quem pegou os direitos de publicação foi a Editora Pixel. Tá pra ser lançado numa edição em capa dura (e com uma ilustração diferente da capa americana) até o fim de janeiro de 2018 pelo título Monstress – Despertar.

Essa é uma série de HQs pra levar pela vida toda. Você não vai ler só uma vez, tenha certeza disso. São tantos detalhes que, a cada nova leitura, você vai perceber novas dimensões na estória. Através dos diálogos entre os personagens ou através das ilustrações espetaculares. Você só vai querer ler o próximo o quanto antes. Sério!

AH! A roteirista Marjorie Liu já trabalhou em HQs dos X-men e tá trabalhando também em HQs do Han Solo, de Star Wars. Sana Takeda também trabalhou em volumes dos X-men, mas além disso teve Ms. Marvel e ilustrou uma capa nos mangás de Sherlock. Quer mais? Monstress ganhou o prêmio Hugo, um reconhecimento internacional de que essa foi a melhor história gráfica feita em 2017. E eu reconheço também!

Nota Goodreads: 4 de 5
Nota Skoob: 4,5 de 5
Desfalk: 5
Resenha completa aqui no Desfalk

 

***

Tô bem pleno com essas conclusões! Sete minutos depois da meia noite me tirou da reflexão e me pôs na ação, de buscar cada coisinha que eu queria alcançar e ter pra me sentir bem (inclusive a decisão de não ter). Atypical me emocionou de uma forma bem nostálgica e criou em mim uma empatia que eu não achava que tava pronto pra receber. E Monstress foi a única leitura que fui capaz de repetir a dose (sim, eu já reli Monstress e foi melhor ainda!)

Só posso esperar que 2018 seja melhor ainda. Vontade não falta, né?

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10 Responses to Os melhores de 2017: filme, série e livro

  1. liligirlagarota disse:

    Olá, não conhecia nem o filme, a sério e o livro, no geral, não são estilos que procuro, porém, suas palavras muito me animaram, principalmente na série Atypical, que vou começar este fim de semana. Espero encontrar mais coisas legais assim por aqui, encantada com este espaço.

  2. Eu ainda não li Sete minutos depois da meia noite, fiquei enrolando e deixei passar. Mas agora quero muito assistir <3 to muito curiosa.
    Atypical foi lindo demais e me fez pensar em tanta coisa do período em que eu ia na escola

  3. Jéssica Melo disse:

    Olá, adorei a sua lista de melhores, apesar de não ter lido e nem assistido eles os três estão na minha listinha, inclusive vou aproveitar minhas ferias e assistir o filme e a série que pelos seus comentarios prometem *-*

  4. Valéria disse:

    olá… Eu tive a indicação de ver Atypical por causa de uma amiga que tem um filho autista, esse ano eu assisto… Sete minutos eu só li o livro, mas pretendo assistir o filme tb… já esse quadrinho, nossa… é lindo de morrer *–* espero ter a chance de ler qualquer hora…
    obrigada pelas indicações…
    bjs…

  5. Oie
    nossa, quero muito ver Atypical, parece ser uma série muito interessante ainda mais para mim que amo esse assuntos, já Sete minutos depois da meia noite não cheguei a ver e até então não tinha curiosidade mas acho que vou dar uma oportunidade

    beijos
    http://www.prismaliterario.com.br/

  6. Dayane Frazão disse:

    Seu post foi maravilhoso não conhecia o livro, a serie e nem o filme, o filme já to baixando pra ver, a serie será a próxima que vou assistir, o livro irei ler em breve já ta na minha lista , amei que já tenho metas até o mês de março kkk

  7. Oi tudo bem? Em 2017 eu tive uma preguiça ENORMEE de acompanhar séries. Sério! Quase não acompanhei nenhuma, mas ouvi falar bastante de atypical. Também ouvi falar de “sete minutos para meia noite” mas ainda não tive tempo de assistir. Mas anotei aqui que você gostou então espero gostar também. Adorei o post
    Bjs

  8. Olá, ótimo post. Me fez ficar com uma vontade enorme de ver o filme (até então eu só me interessava pelo livro). Essa série parece bem bacana. E esse livro/quadrinho é algo que já quero ter na minha estante pois achei a premissa super interessante.

  9. Michelle Russo disse:

    Olá tudo bem? Adorei seus selecionados do ano, sete minutos depois da meia noite foi um filme maravilhoso mesmo, o livro não conhecia a série ainda não tive a oportunidade de ver, até breve!

  10. Nossa, com exceção de Atypical, eu não ouvi falar desses títulos. Mas fiquei encantada com esse filme. E vou querer assistir!!

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