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GOT | O que foi essa 7ª temporada de Game of Thrones?

Pra quem gostou e quem não aprovou, uma opinião é constante: dessa vez, Game of Thrones foi à tela bem diferente das outras temporadas.

Game Of Thrones sempre me encantou por conta da complexidade e da perfeita ligação entre os fatos. Ter livros como base, sem dúvidas, ajudou os roteiristas a comporem estórias moduladas de forma pertinente e com poucas exclusões. Mantendo a maior coerência possível, Game Of Thrones se consagrou como o maior fenômeno televisivo em entretenimento da década.

Como adaptação de As Crônicas de Gelo e Fogo, de George R. R. Martin, a série da HBO funciona até demais e todos sabem disso. Nela, vemos detalhes que nunca seriam explorados em filmes. Independente de quantos fossem produzidos, nunca seria o ideal. Foi por isso que a série funcionou muito bem até a quarta temporada. Sim, funcionou, porque quando a série encontrou e ultrapassou os livros, as lacunas começaram a aparecer.

Vá direto ao ponto:
> Quando GOT ficou previsível
> Dinheiro só pra dragão
> Detalhes abandonados
> Promoção: solução fácil pela metade do preço
> May the Lord of Light be ever in your favor

Se você abriu o link pra ver isso aqui, já deve ter visto a temporada completa, certo? Porque vou falar aqui alguns SPOILERS, teje dito. Se você chegou até aqui, à frente é o caminho. Prossiga:

Quando GOT ficou previsível

A fama de matar personagens queridos é tanta que se você googlar game of thrones personagens que morreram, você vai encontrar mais de 172 milhões de resultados. Todos são essenciais até o momento em que são dispensáveis. Virou roleta-russa: atirando pra todo lado, o cano da arma matou até gente irrelevante. Em termos de série televisiva, a fórmula de Game of Thrones começou a ficar previsível.

Qualquer cheiro que você sinta, vai deixar de ser percebido pelo seu olfato depois de um tempo. Com luz, é o mesmo: sua pupila reage à quantidade de luz num ambiente em pouco tempo. Em GOT, não é diferente. Choque demais torna o extraordinário um tanto… Ordinário. Comum. Os espectadores já esperam por isso. A surpresa acontece, mas eu tenho certeza que nada vai se comparar à sua reação vendo a decapitação de Ned Stark. Ou melhor: assistindo ao Casamento Vermelho.

Já sabia que Martel e Tyrell teriam um fim, mas acabou ficando absurdamente abaixo das expectativas. Por que foi tão medíocre? Onde foram parar os maiores exércitos ao sul de Westeros? A maior ameaça abaixo de King’s Landing simplesmente evaporou em fogovivo? Pra quê conceder tanto tempo de tela nas outras temporadas se o fim deles seria tão simples? Martel e Tyrell mereciam um fim digno: com guerra de verdade, gente queimando, sangue, gritos, desespero, membros, tripas. Afinal, violência gratuita sempre moveu gerações inteiras no entretenimento, e é pra isso que vejo Game Of Thrones.

Dinheiro só pra dragão

Tem uma galera grande por aí (Omelete, se não me engano) que mencionou a qualidade gráfica dos dragões nos episódios como o elemento que mais sugou recursos. E tá show, tá impecável e deve ter sido mesmo uma fortuna. Mas não me desce que dragões sejam motivo pra algumas cenas nem serem criadas, como a guerra Martel e Tyrell contra Lannister. Ou até pra sanar o tal problema da temporalidade.

A 5ª e 6ª temporada também tiveram o mesmo problema. Correram demais em alguns núcleos, como o da Arya, da Sansa e da Daenerys. Nessas etapas da série, essas personagens viajaram um bocado, e pareceu um tanto irreal que essas viagens demorassem tão pouco tempo. E a sensação de realidade, a familiaridade com o tempo, sempre foi um fator positivo da série.

Essa temporalidade eu vejo, sim, como um problema de roteiro, e não como uma escolha narrativa. Entendo pouco de cinema e roteiro, mas só de tanta gente ter criticado, já dá pra perceber que nem todo mundo captou a mensagem da mesma forma. E toda pessoa que já estudou algo de comunicação na vida sabe muito bem: se sua mensagem não é entendida, o problema está na mensagem, e não no público que já é fiel e acompanha o conteúdo.

Alan Taylor, diretor do 6º episódio da 7ª temporada, que foi tão polemizado por essa questão de temporalidade, até tentou justificar. Mesmo estando ciente dos problemas, preferiu deixar como estava. Pra mim, estão sendo relapsos com o público. No maior estilo tão pouco se fudendo lixando. Porque sabem que os números de audiência só crescem. Tá rendendo, então… Pra quê melhorar, né?

Detalhes abandonados

Que os livros são mais densos de personagens e informações, todos sabem. Até hoje, me deixa decepcionado que Lady Stoneheart não tenha aparecido (não procure se você não quiser ter um choque sobre o final do terceiro livro, A Tormenta de Espadas). Mas ainda fico um tanto receoso de elogiar a perspicácia da série quando vejo detalhes escapando. Ou pior, sendo ignorados.

Já foi mostrado que Jon Snow tinha uma ligação especial com seu lobo, Ghost. Jon até já incorporou Ghost, assim como Bran incorporou Summer e ShaggyDog (Verão, de Bran, e Felpudo, de Rickon). E aí eu te pergunto: cadê Ghost? Eu até fui atrás de saber se ele tinha morrido e eu esqueci, porque ele não deu as caras nessa temporada, né?

Mas não, tá vivinho, só não apareceu por questões orçamentárias, mas também não recebeu nenhuma menção sequer. A impressão que fica é que preferiram trocar Ghost, que já era fixo, por uma aparição despropositada de Nymeria. Inclusive, esse reencontro entre Arya e Nymeria parece ter sido só pra dar um gostinho aos fãs. Porque, de fato, não serviu pra nada! Fico me perguntando se vão dispensar Arya como warg, assim como parecem que já descartaram Jon e Bran como wargs.

E ainda tem o Sam. Por que diabos o cara foi pra Cidadela se iria voltar logo em seguida? Porque foi essa a impressão que tivemos. Que ele passou lá tipo 3 dias e pensou “Ah, não vou encontrar mais nada por aqui.” Sam foi enviado à Cidadela no intuito de ser Meistre. O que ele aprendeu por lá em tão pouco tempo que já pode ser útil? Aliás, é até uma sorte desgraçada ele ter fugido com algum pergaminho de fato importante pro desfecho da guerra toda.

PROMOÇÃO: Solução fácil pela metade do preço

Quem acompanha o Desfalk já deve ter percebido que não sou fã de soluções fáceis. Na verdade, chego a criar asco por produções que subestimam a inteligência do público. The Walking Dead faz isso tanto que dá uma dor. É isso que a galera que trabalha com storytelling chama de deus ex machina: soluções rápidas, fáceis, milagrosas, pra uma situação quase impossível.

Tipo quando põem Jon Snow cercado e aparece um Tio Ben do nada pra salvar o boy. Ou ainda na sexta temporada, na Batalha dos Bastardos, quando Sansa e Mindinho apareceram com o exército do Vale na hora exata em que Jon e tchurminha iriam morrer. Ou então quando fazem surgir um relacionamento entre Jon e Daenerys em poucos segundos pra selar uma união.

Digo do nada porque o desenvolvimento foi absurdamente minúsculo. Jon e Daenerys não se permitiram envolvimento romântico por anos e, de repente, um cara aleatório chama Daenerys de Dany e ela se derrete toda. Se derrete tanto que é capaz de esquecer que um de seus filhos morreu. Fica tão preocupada com um boyzinho aleatório que não reage quando vê o próprio filho gritando de dor e morrendo. Isso, pra mim, é descaracterizar personagem. Mataram Jon Snow. Mataram Daenerys Targaryen. E os dois foram substituídos por uma música da Avril Lavigne.

May the Lord of Light be ever in your favor

É foda ver uma série que amo tanto desmoronar desse jeito. Se eu não me importasse, nem estaria escrevendo isso por aqui. Considero até desrespeitoso com o público que tanta coisa seja entregue da maneira que foi: meia boca, desgastada, ainda que coberta por um manto de ouro. Fomos obrigados a esperar mais tempo, tivemos expectativas aumentadas pelas divulgações. E uns gostaram. Eu não.

Na boa: você só merece o que é impecável. Eu só mereço o que é perfeito. A gente não tá aqui só pra receber na boquinha tudo que a HBO passa, só porque ela é a fodona. HBO não paga minhas contas, tenho mais que criticar e apontar erro sim. Porque na hora do acerto, eu sou um dos primeiros a aplaudir.

Excelente, nota 2.

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