In Reflexões

Como me encantei pela mentira

Pra começar, oi, tudo bom?, tudo bom sim, sou Falkner, 23 anos, drogado, prostituído jornalista por formação, mas contador de causos por vontade e, quem sabe, por vocação. Tive algumas aventuras em blogs que não duraram muito tempo, mas me serviram na intenção de amadurecer os pensamentos e a própria escrita. Agora, eu volto. Com um propósito e um projeto bem definidos a serem desenvolvidos nos próximos anos. 

Mas… Primeiro de tudo: taca o play aqui nessas músicas, vai!

Pronto? Ótimo! Agora, senta, relaxa e conversa aqui com o tio.

Me diz aí. Qual foi o primeiro filme que você viu e que realmente prestou atenção do começo ao fim? Essa é bem fácil pra mim: Pokémon – O Filme. Lançou em 1998 e eu, que já era fissurado pelo desenho no programa da Eliana, fiquei na expectativa de assistir ao filme no primeiro trailer que passou na TV.

Tinha 5 anos na época e foi muita sorte minha conseguir ir com minha tia. Foi exatamente assim a ordem dos acontecimentos: fiquei contendo o riso quando entrei na sala, não parei as pernas quietas de nervoso, abri os olhos até ficarem maiores que a barriga quando o filme começou e ri, tremi, chorei. E me apaixonei, ali mesmo, pela arte do cinema.

Ok! Agora um teste mais complicadinho. Você consegue lembrar do primeiro livro que leu? Nem que seja aquele paradidático chatinho no seu colégio… Pois então, eu lembro de O Gato Que Não Tinha Botas, O Reizinho Mandão, Abraão (sim, livrinho religioso, e era bonito)… Nossa, eu me perco fácil se voltar demais no tempo. Mas eu também lembro com muita clareza do primeiro livro sem figuras (!) que li. E era Harry Potter e o Cálice de Fogo.

Foi em 2004, e eu com 11 anos, que fui presenteado com esse calhamaço da J.K. Rowling. 535 páginas que pesavam pra caramba e me cansavam o braço com o peso. E eu o levava a todo canto, quase como um bichinho de estimação: levava ao colégio, à casa dos meus avós, ao banheiro na hora de fazer o famigerado número 2… né… e até pegando no sono com ele ao lado do travesseiro. Ainda assim, precisei de uns 3 meses e meio pra digerir o livro todo. O encanto era grande demais pra ser quebrado pela ânsia de terminar a leitura dessa fantasia. Daí, não parei mais de ler.

Mas, criatura! E música? Tem que contar, ande! Sei que sou da geração TV União – Jovem de cara e de coração, com Tribos, TOP+, Traduzidos e Clube Pop. E vou nem falar então (mas já falando) da era Vagabanda, da Malhação, com a Marjorie Estiano. E depois ainda fui vítima da invasão latina e me rendi aos hits de RBD, Shakira, Luna, JD Natasha, Juanes e, sem mais nem menos, também me rendi a High School Musical (que pegou o embalo de Rebelde, sim, ok).

Mas uma coisa deve, com certeza, ser admitida: Avril Lavigne foi o símbolo dessa minha época. E, sim, foi com ela que comecei a me interessar pela música. E foi nas músicas da minha primeira diva que realmente aprendi algo do inglês.

Percebe um  padrão aí? Pode parecer bobo, mas aprendi muito com cada uma dessas experiências. Ó aí:

> O cinema me ensinou a ficar quieto diante da história que me era contada. Me mandou ficar em silêncio durante 1 hora e meia, em respeito à narração e aos outros espectadores interessados no filme, e eu obedeci;

> O livro me deu empenho de seguir uma rotina regrada para um objetivo único: mergulhar numa realidade alternativa que instiga a atenção e a memória de forma gradativa;

> E a música, por fim, me levou a países que, até hoje, ainda não pude ir, mas que estão presentes no que aprendi de seus idiomas e culturas. Além, é claro, de desenvolver sensibilidade, sem a qual não seria capaz de interpretar e entender a subjetividade.

Entretenimento é um bicho que entra em ti e não sai, porque nós não saímos da presença dele sendo a mesma pessoa de antes. E a causa disso é que entretenimento também ensina. E muita gente aprende com a tal da ficção, ela tendo base na nossa realidade ou sendo uma mentira muito bem contada.

Ninguém é scanner pra ficar curiando tudo e captar 100% do cotidiano. Certos detalhes acabam sendo explorados em filmes, séries, livros, música, teatro e toda essa infinidade de produções culturais. Tudo isso existe pra passar uma mensagem. Pra transmitir um ensinamento, mínimo que seja.

Talvez, por sempre me deliciar numa boa mentira, eu tenha me encantado tanto pelo Jornalismo. Uma profissão tão sedutora e romântica, ser jornalista virou minha missão por alguns poucos anos. Na verdade, por alguns poucos meses, pois, já no segundo semestre da graduação, levei uma bela patada:

“Se você está aqui porque gosta de ler e escrever, está no curso errado. Atravesse a rua e vá para a Literatura!”

Sim, isso foi fala de professor na faculdade, e já comecei a rever meus conceitos daí. Não por essa fala delicada, mas pela vontade em me distanciar da nocividade que o campo jornalístico e da comunicação, em geral, esconde e maquia.

Me joguei, então, pela área da assessoria de comunicação e descobri a beleza em trabalhar a informação de forma ampla e integrada, espalhando parte da história de um lugar para o mundo. Hoje, formado, já não quero contar qualquer coisa nem quero estagnar num ambiente limitado.

O mercado se configura de um jeitinho bem peculiar e, diga-se de passagem, indecente, mas ainda mais indecente e peculiares são os colegas que ousam enfrenta-lo e questiona-lo, sem engolir tudo que é demanda. Essas pessoas pensam na maneira como seus trabalhos irão atingir os outros, e isso é de extrema importância no exercício do jornalismo e da comunicação. Empatia, meuzamores.

Foi por isso que cheguei bem aqui.

Desfalk vai contar a essência da minha história. Durante 4 anos e meio de faculdade, percebi que o jornalismo quadradinho se extinguiu, mas abriu janelas e portas a outro campo de possibilidades: a produção de conteúdo. Especificamente, a produção de conteúdo de entretenimento com base em fatos e impressões. É isso que farei por aqui.

Cada coisinha que me tocar, me incomodar, me revoltar ou me ensinar, será dissecada neste espaço. Com opiniões, comentários, justificativas e muita, mas muita cara de pau. Afinal, tem que ser muito escroto pra falar do trabalho alheio. Mas o meu também está aberto aqui, e bem receptivo a conversas. Não quero impor nada, eu quero é dialogar. Porque se teve uma coisa que aprendi (e isso foi de vida vivida, e não de vida contada), é que existem 7 bilhões de bocas no mundo, mas existem 14 bilhões de ouvidos. E eu vou seguindo, quietinho, querendo ouvir o que o mundo tem a dizer e a ensinar.

 

Sou Falkner Moreira e meu desfalque nunca vai deixar de existir.

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