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Aquela saudade acumulada de SMASH [replay]

Desde 2013 que estamos órfãos de SMASH. Em 2012 e 2013, a série sobre os bastidores da Broadway encantou, surpreendeu, cresceu, definhou e morreu. Foram 32 episódios em 2 temporadas, 49 músicas originais, 2 álbuns musicais, 7 prêmios entre 24 indicações (21 só pra primeira temporada!), 2 musicais fictícios, uma apresentação especial na Broadway real e um amor crescente por vários artistas sensacionais.

>> Entra Marilyn
>> Breve sinopse
>> Assuntos recorrentes
>> O merengue da torta
>> Só os restos mortais
>> E descem as cortinas

Em 2012, quando estreou SMASH, o que tava no topo da TV americana era Glee. Em sua terceira temporada, Glee era uma série musical adolescente com muito drama e alguma dose de comédia, mas também trazia uma sede por covers das músicas top 10 da Billboard. O que seria bom comercialmente, frustrou boa parte da crítica: faltava coesão no roteiro de um episódio para o seguinte, e a profundidade dos assuntos, que rendeu prêmios à série na temporada de estreia, em 2009, acabou se perdendo.

Gravidez na adolescência, bullying, pais homossexuais, perspectivas de futuro, transgeneridade: pra quê aprofundar esses temas se podemos só cantar e dançar, não é mesmo? A cada episódio de Glee desde a segunda temporada, eu sentia que havia foco demais nas músicas e que o enredo passava a ser conduzida pelas músicas, e não só mais um plus. Foi, então, que SMASH chegou, nesse contexto de seriado musical já popularizado por Glee.

Entra Marilyn

Se Glee pecava com todos os seus personagens, Smash era extremamente generosa. Todos os personagens centrais tiveram sua história particular explorada, e sem timidez alguma pra mostrar os lados positivos e negativos de cada personalidade. Ainda que Marilyn fosse somente um pano de fundo pra condução dos episódios, aqui os episódios tinham motivos fortes pra incluir músicas no enredo. Afinal, não se produz Broadway sem música.

Só o anúncio do seriado já prometia o suficiente: produção de Steven Spielberg. Eu pensei logo: “Se Spielberg tá produzindo uma série musical, só pode ser fenomenal!” E eu estava bem certo. O piloto televisionado em 6 de fevereiro de 2012 foi visto por 11.44 milhões de pessoas somente nos Estados Unidos. E vale lembrar que o piloto já havia vazado meses antes da estreia. Desse jeito, dá pra gente supor, só um pouquinho, a imensidão que esse número iria atingir se contássemos com os downloads pelo mundo todo.

Breve sinopse

Fico pensando se a verdadeira protagonista seria Karen Cartwright (Katharine McPhee, finalista do American Idol de 2006) ou se seria a própria Marilyn Monroe. Smash não é biográfica, mas traz tantas referências à vida pessoal de Marylin e às personagens interpretadas por ela que fica difícil distinguir se ela é a premissa ou uma personagem fantasma. Mas vamos lá, convenhamos que seja Karen a protagonista…

Karen vive em Nova Iorque, trabalha como garçonete e sonha em ser estrela da Broadway. O complicado é: 80% das pessoas em Nova Iorque têm o mesmo sonho, 10% são brasileiros turistando, 9% são turistas do resto do mundo e 1% são nativos. Por isso, não há surpresa quando Karen vai fazer um teste para uma nova produção musical sobre a vida de Marilyn Monroe e lá estão várias mulheres em busca do mesmo papel.

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A peça, futuramente chamada de Bombshell, tem roteiro de Julia Houston (Debra Messing, de Will & Grace), músicas de Julia e Tom Levitt (Christian Borle), produção de Eileen Rand (Anjelica Huston, aquela da Família Addams) e Derek Wills (Jack Davenport, de Piratas do Caribe). Como Karen é iniciante e não tem experiência alguma, ela fica no limbo junto de Ivy Lynn (Megan Hilty), e as duas vão se digladiando para ver quem fica com o papel de Marilyn.

Assuntos recorrentes

Do piloto ao último episódio, os temas que Smash propõe variam de problemas familiares a depressão, abuso de drogas e exploração sexual. Em certos momentos, chega a ser assustadora a maneira como determinadas cenas acontecem com naturalidade, que deixa o espectador supor de que aquilo definitivamente comum no showbizz.

Começa pelo diretor cafajeste que não respeita nenhuma das atrizes com quem trabalha. Ao invés de escolher o casting feminino puramente pela técnica vocal e teatral, talento e inspiração, Derek se aproveita das mulheres, pra que elas satisfaçam seu ego e sua sede por sexo. Aos poucos ele vai se tocando que esse é um jogo traiçoeiro e que, tal hora, vai se virar contra ele.

Outro elemento importante do seriado é demonstrar o amor e a dedicação dos artistas pela profissão. Viver de arte não vai ser fácil em nenhum lugar do mundo, e é um esquema sem nenhuma regra. Se Ivy precisa se drogar pra se manter alerta e ativa durante os ensaios, é porque ela é impulsionada pelo desejo de se tornar bem sucedida, de atingir o patamar de sucesso que a mãe teve sendo uma famosa artista da Broadway.

O conflito presente no enredo não é simplesmente físico. Espaços numa peça acabam sendo questões paralelas. A narrativa construída por Theresa Rebeck, criadora e roteirista de Smash, nos leva a ter simpatia por cada um dos personagens, inclusive por Ivy, apresentada como vilã e que se mostra sempre arrogante e rancorosa, até entendermos que não é uma atitude gratuita e existe motivação pra isso.

O merengue da torta

Além da trama envolvente, a trilha sonora foi toda feita com muito primor. Só as músicas já são incríveis, tanto as composições originais quanto as novas versões. Mas as performances chegavam a valer um espetáculo inteiro. Destaco aqui algumas delas:

A Thousand and One Nights – Katharine McPhee

Let’s Be Bad – Megan Hilty

Mama Makes Three – Jennifer Hudson

Só os restos mortais

A audiência que começou nos 11 milhões oscilou bastante, mas no geral foi caindo a cada episódio da primeira temporada. Não que a qualidade da trama tenha caído, porque todos os números musicais eram impecáveis, as atuações foram todas sensacionais e daria pra imaginar alguns milhões de dólares envolvidos a cada novo roteiro iniciado.

Ao meu ver, Smash trouxe um gênero específico de produção (série musical de drama) e uma gama extremamente ampla de referências. Marilyn Monroe todos conhecem, mas a história dela não é tão popular atualmente. Os filmes reprisam somente na TV a cabo, e com muita raridade. Se lembramos de algo, é apenas do “Happy Birthday, Mr. President” ou da cena do vestido esvoaçante em “O Pecado Mora ao Lado” (1955). E apenas isso. Exige um certo esforço para que o espectador entenda tudo por completo, e ainda capte cada uma das referências à Marilyn, a outros musicais, à cultura pop e ao próprio showbizz.

Theresa Rebeck, criadora e roteirista, acabou não ficando muito feliz com o que estava sendo feito de Smash. Depois de escrever 5 episódios na primeira temporada, ela abandonou o barco a caminho da 2ª temporada. Isso aconteceu principalmente por conta das decisões dos produtores que, no fim, são os donos dos cheques que pagam a todos os envolvidos. Com a saída de Theresa, Steven Spielberg também se retirou, e o resultado foi o infeliz Hit List, a produção musical que ganha destaque na segunda temporada.

E descem as cortinas

Se Smash soube fazer algo, foi encerrar de maneira impecável cada uma das suas 2 temporadas. Ainda que o desenvolvimento não tenha sido perfeito, cada temporada trouxe suas devidas amarras, e o derradeiro fim só conseguiu deixar os fãs saudosos. Em 2015, o elenco se reuniu para um show beneficente lotado num dos maiores teatros da Broadway, o Minskoff Theatre. Na ocasião, os números musicais da série foram apresentados de forma independente, sem o background da história de Marilyn.

De vez em quando, Smash volta a ser notícia. Dessa vez, é puramente por Bombshell, o musical criado na série que, finalmente, será transformado em uma produção da Broadway. Tudo indica que Bombshell terá estreia em 2019 e irá contar com produção de Crai Zadan e Neil Meron, que têm Hairspray e Chicago no currículo, além da colaboração de Steven Spielberg.

Esperança não falta, né? Até lá… Don’t forget me.

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10 Responses to Aquela saudade acumulada de SMASH [replay]

  1. saahfinoti22 disse:

    Eu não conhecia essa série, confesso que na verdade nem Glee e nunca assisti pois assim como você disse o foco era só dançar e cantar (que eu via o pessoal falando) e nunca me interessei.
    Mas essa que você mostrou pareceu muito interessante, e com certeza vou procurar ela pra assistir.

  2. Sempre tive curiosidade em assistir, mas estou sempre adiando, acredita? Tenho que resolver isso é criar vergonha e conferir de uma vez! Hahaha

  3. Não é o tipo de série que eu costumo assistir, mas ouço falar muito bem dela

  4. Eu assisti Glee, mas sempre foi muito mais por causa das musicas do que pela historia. E lembro quando descobri Smash, fiquei super empolgado para começar a ve-la, mas logo em seguida veio o anuncio do cancelamento, ai desisti da ideia, pq não sabia se ela tinha sido finalizada. Mas confesso que agora com esse seu post, fiquei com MUITA vontade de dar uma conferida nela.

    Abraços
    http://www.desconstruindooverbo.com.br

  5. Thamiris Alves disse:

    Uau que série bacana! Nunca vi! Onde eu estava? Hahah vou pesquisar sobre! Bjos

  6. Olá! Gostei muito do assunto do post, os gifs e os vídeos ficaram muito legais.

  7. Cassia disse:

    Olá!
    Confesso que nunca ouvi falar dessa série. Amei a indicação e achei muito interessante.
    Obrigada pela indicação.
    Beijo
    Cássia

  8. Vou ser sincera que não me lembrava desta série, parece ser ótima. Estamos viciados em séries aqui em casa, vou procurar para assistir. Muito boa a dica! Abraços

  9. Não vou negar, não vi essa série tenha ouvido falar bastante no ano em que foi lançada. Prometia fazer mais sucesso que Glee pena que muita sorte e nem muito interesse por parte do público, o que é crucial obviamente.

    Parabéns pelo texto. Agora sim posso dizer, embora com atraso e com absoluta irrelevância, que conheço a história de Smash.

    Muito bom!

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