In Literatura

Analisando essa cadeia hereditária das leituras de 2017

Existem várias formas de saber o que você anda lendo. Uma delas é analisando de maneira bem objetiva e racional. E foi assim que observei todas as leituras de 2017.

Repetindo o que fiz há um tempo, trouxe uns gráficos analisando de um jeitinho bem objetivo o que foram as leituras de 2017. E começo logo dizendo:

Aqui não tem enganação: não cumpri as metas que tinha pra 2017. E tô de boas na maré com isso! Em 2016 foram 16 livros lidos, e esse número dobrou em 2017. Foram 35 livros lidos ao todo, e por “livros” eu digo LEITURAS e, sim, incluo romances, histórias em quadrinhos / graphic novels, roteiros, manuais, teóricos… enfim: publicações editoriais. Que isso fique bem claro, porque “leitura” não é só de livro. Teve muita gente que leu Cat Person e foi a leitura da vida. E saiu numa revista, na New Yorker, e não em um livro!

Com vocês, as leituras de 2017

Portanto, não foram só livros impressos. Principalmente porque em 2017 eu finalmente entrei pro mundo das publicações digitais. No Wattpad, conheci uns autores incríveis e ainda li um livro espetacular, um LGBT meio hot, mas o autor tirou do ar bem quando eu ia escrever resenha aqui pro Desfalk. Pior: nem anotei o nome do livro. Mas foi uma surpresa que me fez entender que precisamos ficar mais atentos às publicações informais. Porque nem tudo que sai em editora é bom. Simples assim.

Falando em editoras, 2017 foi um ano pra não se prender. A única editora que se destaca é a DarkSide Books, não só por conta da parceria que o Desfalk teve com ela, mas porque foi um ano bem feliz pra Caveira. 5 anos de publicações de sucesso em repercussão e vendas não é pra qualquer empresa desse meio. E esse ano 5 foi cheio de lançamentos de tremer a bunda na cadeira: Abominação, Coração Satânico e Wytches, só pra citar alguns. (Todos com resenha aqui!)

Foi de grande alegria quando percebi que li um pouco de tudo! E ainda consegui retomar a assinatura da Tag Experiências Literárias, o que só ajudou a manter o nível de diversidade pra 2017. E, por um acaso…

Consegui ler bem mais autoras mulheres no ano que passou. Foram 17 livros de mulheres e 18 de autoria masculina. Tudo graças à Iara Picolo, do canal Conto em Canto, através do projeto Mulheres Para Ler, que acontece todo mês de março em ocasião do Dia da Mulher. Mas, com a graça da deusa, o projeto ganhou asas pra influenciar as leituras do ano todinho.

É tudo um processo de conscientização dos privilégios que os homens cis recebem no mercado editorial. (Duvida? Um exemplo simples e fácil é esse: olha os prêmios de literatura de 2017… Quase todos carecem de mulheres entre os indicados. E digo mais: carece de mulheres na bancada de críticos desses prêmios. Não é questão de merecimento, é questão de deixar de acreditar que só homem sabe escrever, que só homem luta pra ter nome reconhecido nas Letras, que só tem homem publicando livro no Brasil.)

Entre homens e mulheres, acabei não fugindo muito do óbvio, infelizmente… Ainda fiquei bem preso no ciclo Estados Unidos – Europa ocidental – Brasil. Foram 12 livros de autores estadunidenses, 7 livros de autores brasileiros e 5 livros britânicos (os 5 são da J. K. Rowling, por sinal haha!)

Nessa viagem ainda fui um pouquinho pro leste europeu e Ásia: Rússia, Japão, Malásia estavam no roteiro. Na África, só cheguei até Nigéria através de As Alegrias da Maternidade, da Buchi Emecheta. Quem sabe em 2018 eu consigo mudar isso…

Os gêneros literários, pelo menos, posso dizer que foram bem mais diversos. E teve algo inédito: li desenvolvimento profissional e livro-reportagem. Por mais que eu seja jornalista, nada me obriga a ler livros-reportagem. 5 anos de imersão na faculdade numa área complicada e tão dinâmica dá nisso: às vezes você pega asco de certas produções. Mas, enfim, quebrei esse estigma e li 2 livros-reportagem: uma vencedora do Nobel, Svetlana Aleksiévitch, e uma amiga se aventurando na autopublicação, Maggie Paiva e seu livro Perpétua.

Sobre o tal livro de desenvolvimento profissional, li por demanda de trabalho. E foi ótimo! Afinal de contas, a gente só absorve o que acha que faz bem e que merecemos. Não adianta se forçar a ler autoajuda ou desenvolvimento pessoal e profissional se você não tá aberto a receber aquilo. É preciso que a gente aprenda cada dia mais a internalizar o que pode e o que vai nos ajudar de fato. Então, cuidado ao sair julgando autores como Paulo Vieira e Pe. Reginaldo Manzotti. Não é por acaso que os caras se mantiveram na lista dos mais vendidos durante todo 2017.

E, por último, um fato que já indica como vai ser 2018:

Li mais livros únicos (ou seja, livros sem continuação) do que livros que fazem parte de séries. Algumas séries continuam enganchadas desde 2016, como Divergente e Crônicas de Gelo e Fogo. Peguei abuso em Convergente e desisti da leitura faltando umas 150 páginas, creio, e ainda tem o livro de contos! Quanto a Gelo e Fogo, o andamento da série anda instigando minha vontade em retomar a leitura do livro 4, O Festim dos Corvos. Mas quando eu lembro daquela enrolação marota…

Ah, talvez alguém queira saber quais foram as melhores leituras de 2017. Já mencionei aqui a leitura mais incrível, mais espetacular e mais surpreendente no post anterior. Mas outros livros também merecem o destaque. E só eles receberam minha avaliação máxima de 5 estrelas (ou 5 oclinhos por aqui):

Millennium 3: A Rainha do Castelo de Ar, do Stieg Larsson
A guerra não tem rosto de mulher, da Svetlana Aleksiévitch
Monstress, volume 1, de Marjorie Liu e Sana Takeda
O Planeta dos Macacos, de Pierre Boulle
As Alegrias da Maternidade, da Buchi Emecheta
Sete minutos depois da meia noite (A Monster Calls), de Patrick Ness

No mais, o balanço foi extremamente positivo. Não me canso de ter orgulho dessas 35 leituras de 2017. Foi um avanço e tanto pra mim e é a mais honesta manifestação de que, enfim, retomei meu hábito de leitura. Só amor por todos esses livros!

***

Lembrando que todo esse material eu fiz com a partir da planilha de leituras que a Bruna Miranda criou (dona de um canal no Youtube espetacular). Ela tem uma newsletter que você assina e recebe na hora essa planilha do Google Docs. Você pode fazer sua cópia e preencher com suas leituras!

COMENTE AQUI!

, , , , , , , , ,

4 Responses to Analisando essa cadeia hereditária das leituras de 2017

  1. Valéria disse:

    poxa,amei essa maneira de classificar as leituras…vou dar uma sacada no canal da guria pra ver se faço uma planilha dessas pra mim… amo a Darkside e Companhia das Letras… vc fez mtas leituras interessantes… eu ando querendo fugir do eixo EUA/BRA que é o que mais leio hahahah
    pretendo focar mais em Europa/Africa/Asia esse ano…
    bj..

  2. Yvens Castro disse:

    Olá, tudo bem?
    Achei bem interessante essa sua análise. Eu adoro a Darkside, acho as edições super caprichadas e é nisso que ela leva vantagem em relação as outras editoras ao meu ver, não é menosprezando o catálogo da mesma, mas eu gosto de livros que me levem ao campo da reflexão e consigo mais isso em editoras como a Aleph ou Martin Claret. Contudo, a Darkside mora no meu coração e fico feliz que a editora esteja diversificando o catálogo!
    Abraço!

  3. Sandra Mendes disse:

    Hey, Falkner!

    Rapaz, você se esmerou e levou bem a sério a retrospectiva do ano passado, né? ahahahaha
    Eu li pouquíssimos livros bons ano passado, infelizmente. Mas já anotei as suas “leituras 5 oclinhos” pra ver se consigo ler neste ano. Adoro boas indicações.
    Espero que este ano seja bem melhor pra nós em termos literários (e no resto também, oras… por que não? rsrs).

    Beijo grande, querido!

  4. Que demais essa sua postagem menino, realmente a darkside andou ganhando tudo ano passado e acho que em 2018 vai continuar arrasando, 2017 foi um ano de mais leituras nacionais para mim.
    Beijinhos

Comente aqui!

%d blogueiros gostam disto: