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5 motivos pra mergulhar no mundo de Wytches

DarkSide Books se lançou de vez nas páginas desenhadas. Wytches é um dos trabalhos que inicia a nova fase visual da editora

Como uma graphic novel inédita se encaixa no meio de livros tão bem sucedidos no mercado editorial? O que quadrinhos acrescentam à trajetória de uma editora que sempre trabalhou com foco no visual? Não existe nada pra determinar que a DarkSide Books não faria sucesso também com material de quadrinhos. Tudo entra em acordo: se ela já fazia um trabalho gráfico beirando o impecável, imagina quando uma narrativa já é pensada pra ser vista.

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Sempre foi questão de tempo. A DarkSide Books iniciou os trabalhos há 5 anos e já foi causando impacto. O foco no terror e na fantasia foi sendo ampliado e chegou nas linhas que vemos hoje nas prateleiras offline e virtuais. CineBook, Crime Scene e DarkLove já não eram suficientes pra uma editora tão comprometida na entrega de material bonito, prazeroso em ver, pegar, sentir e ler. Era só questão de tempo e todos sabíamos: uma hora ou outra, a Caveira chegaria aos quadrinhos.

Terror nos olhos de quem vê

A linha de quadrinhos da DarkSide Books iniciou com Meu Amigo Dahmer em junho deste ano. Logo depois, vieram Fragmentos do Horror e Wytches, que chegaram em julho às prateleiras. Em pouco tempo, a mensagem fortificou de vez: DarkSide veio pra bater de frente com qualquer editora de quadrinhos. A capa dura e o apelo visual saltam aos olhos de quem o vê os livros na prateleira. Indiscutivelmente, a DarkSide consegue ser vista quando bem quer e não decepciona.

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Em Wytches, a família Rooks é protagonista. O casal Lucy e Charlie e a filha deles, Sail, se mudaram pra Litchfield em busca de sossego após um acidente que deixou Lucy paraplégica e um incidente obscuro envolvendo Sail no desaparecimento de uma garota. O roteiro de Scott Snyder comprova que nada acontece por acaso, principalmente quando é algo sobrenatural, e tudo que acontece nesse lugar está interligado. Quanto o nome de alguém é entregue como oferenda às brvxas, não tem mais como escapar ou fugir: as brvxas buscam suas vítimas aonde forem.

A premissa te atraiu? Então vê aqui o que essa HQ tem de melhor:

/#1 – Capa: Beleza é pra poucos

Wytches na edição da DarkSide Books tem a mesma capa da edição americana. A ilustração de capa instiga curiosidade, dá uma prévia do que vai ser encontrado durante a leitura. O clima obscuro transparece em cada traço, cada sombra, nas texturas e no filete de sangue fluindo da árvore. E a impressão é de uma qualidade tão absurda que, de tão foscas que as cores ficaram, até lembra softtouch (aquelas capas de aspecto emborrachado).

#2 – Traços: Boniteza também por dentro

Se por fora esse livro carregam a identidade primorosa da Caveira, por dentro ele abriga ilustrações dignas de serem penduradas na parede. Wytches tem uma equipe focada no visual: Jock nas artes, Matt Hollingsworth responsável pelas cores e Clem Robins a cargo das letras. Me impressionou o tamanho dessa equipe, já que o mais comum é encontrar uma pessoa no roteiro e outra na ilustração. Mas o resultado chega a ser assustador de tão incrível.

Cada página traz um forte mix de técnicas. No fim da HQ, alguns processos de ilustração se explicam: tem o desenho de base, aplicação de texturas como se fosse uma tela de tecido, camadas de cores diferentes, sendo uma pra colorir a base e outra pra dar uma bela impressionada no resultado final. E  cor é exatamente o motivo 3.

#3 – Cores explodindo bem na sua cara

Sem dúvida alguma, a contribuição de Matt Hollingsworth foi indispensável pro efeito que a estória quer passar. Sobreposição de cores é algo que pode atrapalhar a visualização de desenhos. Muitas vezes, durante a leitura, me senti vendo testes de cores pra pessoas daltônicas. Espantei no começo, mas acostumei e entendi a proposta.

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Ao invés de atrapalhar, o excesso de cores deixa as páginas efervescentes nas passagens mais tenebrosas. É na cor explosiva sobre todas as outras camadas de trabalho que as monstruosidades em Wytches ganham vida e saem à caça. A presença de cores vai se intensificando de acordo com o pânico ou desequilíbrio que os personagens sentem. Tal hora, é impossível não ficar inebriado, meio grogue, meio hipnotizado com tantas cores saltando aos olhos.

#4 – Orange is the new wytch

Ao ver o nome da cidade onde se passa Wytches, foi impossível não associar à Litchfield de Orange Is The New Black. Coincidências criativas à parte, Wytches tenta inserir o leitor numa atmosfera de caça e caçador, onde nós, pessoas comuns, nos tornamos presas de seres malignos, as brvxas.

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Na mitologia criada por Snyder, o roteirista, as “bruxas” são monstros que concedem desejos e realizações das pessoas, bastando que elas entreguem, em troca, o nome de alguém. E se a pessoa dona do nome que foi jurado for pega pelas brvxas (e, indiscutivelmente, será), ela será levada ao ninho das criaturas, onde irão agonizar até a morte. Ninguém está a salvo, não existe trato que livre alguém de ser pego. Quer mais prisão que isso @ ?

#5 – Mais uma série pra lotar a estante!

No decorrer da leitura, já dá pra entender a intenção da estória: ela quer ser aprofundada. E é completamente justificável, porque sentimos a necessidade em aprofundar a leitura infinitamente. Wytches mostra detalhes de vida dos personagens que são apenas mencionados superficialmente, e até o estilo de vida e a maneira como as brvxas surgiram acaba sendo um grande mistério.

Os marcos nas vidas de Lucy e Sail, e o histórico da família Rooks são só alguns dos detalhes que o leitor pode implorar por mais informações. Mas, muito provavelmente, o que ficou mais latente pela falta de foco, foi a carreira de Charlie como escritor. Senti que teria algo de metalinguístico, mas seria óbvio demais simplesmente assumir isso. Por isso mesmo que me dá certo alívio saber que a estória não tenha acabado da maneira como o volume 1 terminou. Vamos ver o que nos espera no escuro do meio da floresta…

WYTCHES
Edição de 2017 da DarkSide Books
ISBN: 9788594540379
192 páginas
Skoob | Goodreads
Onde encontrar: Amazon BR

***

Livro cedido pela editora DarkSide Books. Para mais conteúdos da editora pelo Desfalk, clique aqui.

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2 Responses to 5 motivos pra mergulhar no mundo de Wytches

  1. Rubyane disse:

    Só fico me perguntando como se pronuncia brvxas…
    Mas enfim, já tinha ouvido falar desse livro e logo de cara me interessei, adoro histórias que envolvam bruxas e magia e ver uma versão de bruxas muito mais cruéis do que estamos acostumados a ver é bem interessante!
    Adorei seus motivos, me deixou mais curiosa ainda para ler essa graphic novel.

    • Falkner disse:

      Eu também fiquei com essa dúvida… Que eu saiba, o “v” no latim fica no lugar do “u”, então acho que justifica ne? Espero que consiga ler, é uma edição linda e com informações extras da produção 🙂

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