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5 livros que janeiro me trouxe

Iniciando o ano de um jeitinho especial, me instiguei a pegar 4 livros pra ler no mês de janeiro. Como nem tudo são flores, mas como algumas flores são pokémons, acabou que li 5 até o bendito dia 31. Fazer o quê se a produtividade bate de repente né?

E foram eles (basta clicar que você vai direto para a parte do texto de cada um, ok?):

1 – Fantastic Beasts and Where to Find Them – The Original Screenplay
2 – Androides Sonham com Ovelhas Elétricas?
3 – O Prisioneiro do Ceú
4 – Jornalismo Freelance: Empreendedorismo na comunicação
5 – Harry Potter and the Chamber of Secrets

 

Fantastic Beasts and Where to Find Them – The Original Screenplay
de J. K. Rowling

Este aqui é o roteiro do filme, criação da Dona da porra toda Rowling que me instigou nostalgia e muito carisma pelos personagens. Talvez não pelos personagens certos mas, com certeza, os mais promissores, como Credence, Jacob e Queenie.

Por roteiro, implica dizer que o livro contém apenas falas, descrição de cenários, indicação de transições e gestos e trejeitos específicos dos personagens. E isso é bem interessante de observar. Quem já teve a oportunidade de ler ou estudar algo sobre TV e Cinema, sabe da especificidade dessa escrita, que deve indicar não só o enredo, mas também descrever visualmente como a tal história será mostrada na tela.

Dito isso, era de se esperar que este roteiro fosse 100% idêntico ao filme. Mas não. Não se enganem com o que falam por aí, que é tudo igualzinho, porque não é.

Sabendo que o roteiro foi alterado pelas mãos da Warner Brothers e do David Yates (insira aqui o emoji do vômito) para chegar no produto final, o filme acaba sendo mais uma Pepsi, mais uma versão do “é, pode ser”, mais um “mas, na verdade, eu queria era Coca-Cola”.

J. K. Rowling, entretanto, está ali o tempo inteiro. Não por ela ter escrito o negócio, mas dá pra gente pegar a essência de tudo pelo ar, por cada cena lida e imaginada, pela sutileza do humor e das nuances de cada personagem. Este livro, o roteiro original, (hora do SPOILER meuzamigo) não tem cenas extras, mas mostra alguns pontos de forma diferente do filme, tais quais:

> A intimidade entre Credence e Graves aparenta ser mais intensa do que fica exposto entre Colin Farrell e Ezra Miller (Ezra, que omi, sem or…);

> Newt tem seus trejeitos, seu ar introspecto e sua timidez, mas a descrição de JK não parece em nada com o Newt travado do filme;

> Ainda que hajam muitas (muitas!) cenas com os animais mágicos, elas parecem mais curtas e mais apressadas na descrição da JK, e com mais foco nos personagens e suas reações do que nos animais em si;

> A cena de destruição da Nova Iorque de 1920 (ou Liverpool, já que foi gravado lá) poderia, sim, ser mais explosiva. Uma coisa bem mais Cloverfield e Guerra dos Mundos  e menos Jumanji. O Obscurus é tão violento e incontrolável que, lendo, imaginei metade da cidade ruindo.

Percebam que todos esses pontos são questões de direção, seja pelo manejo com os atores ou da interpretação do roteiro. Um problema diretamente ligado ao Yates, e não à Rowling.

No fim, pela história que poderia ter sido mais explorada, pelo lado sombrio da força que ficou bem tímido, pela solução horrorosa (bem Deus Ex Machina – ou aquela solução que cai do céu do nada) que JK deu para o problema da exposição do mundo bruxo, pelas explicações que tiveram que ser dadas em entrevistas e pela expansão desnecessária de 3 para 5 filmes, este primeiro conto da saga de Newt não é perfeito. Que fique registrado: Fantastic Beasts me encantou, mas não me surpreendeu. A notinha final vai ser de 3 oclinhos e meio.

PS: essa edição com ilustrações e diagramação da MinaLima é uma das mais lindas que tenho na minha estante. Muita delicadeza nos traços e uma originalidade que só essa equipe é capaz de explorar e interpretar do mundo da Dona Rowling.

Edição de 2016 da editora britânica Little, Brown
ISBN: 9781408708989
293 páginas

 

Androides Sonham com Ovelhas Elétricas?
de Philip K. Dick

Primeiro de tudo: quem aí sabia que Blade Runner teve a ideia central baseada em um livro? Eu nem sabia e, me chame de herege, nunca assisti. Ovelhas Elétricas é exatamente esse livro-base.

Publicado por Philip K. Dick em 1968, a obra narra a aventura policial de Rick Deckard, um caçador de recompensas que leva a vida executando androides infratores. Ele fica encarregado de lidar com 6 androides/andys fugidos de Marte após seu colega Dave falhar na missão de aposentar 8 robôs da linha Nexus-6, tendo sido atingido por um laser pelo 3º dessa lista.

Mas a trama policial serve só de enfeite para o que a estória realmente quer passar. Após a fatídica guerra de proporções mundiais, uma poeira radioativa se espalhou no planeta, liquidando inúmeras espécies de seres. Boa parte da humanidade migrou para Marte, e quem ficou na Terra é instigado a abandonar o planeta no maior estilo “Brasil: ame-o ou deixe-o”, com campanhas do tipo

“Emigre ou degenere! A escolha é sua!”

Ainda que a história de Rick Deckard seja o mote principal, eu consideraria o plot apenas como uma desculpa para que outras questões fluíssem à beirada da página e o leitor captasse a importância daqueles detalhes. São, por exemplo, a espiritualidade e o existencialismo, que poderiam até ter recebido mais destaque, porque foi exatamente onde eu fiquei grudado. Deixo aqui 4 oclinhos pra ele.

Edição de 2014 da editora Aleph
ISBN: 9788576571605
272 páginas

 

O Prisioneiro do Céu
de Carlos Ruiz Zafón

Esse aqui é o terceiro volume da série O Cemitério dos Livros Esquecidos. Mas, cronologicamente, a história se localiza após o volume 1, A Sombra do Vento (2007). Meio complicado esse salto temporal mas, nas mãos do Zafón, vira um deleite de lamber os beiços.

A ordem fica assim:

Década de 1920: O Jogo do Anjo
Década de 1940: A Sombra do Vento
Década de 1950: O Prisioneiro do Céu

É interessante apontar que A Sombra do Vento e O Jogo do Anjo são narrativas totalmente independentes. Já O Prisioneiro do Céu traz referências singelas de O Jogo do Anjo, mas dá continuação à estória de A Sombra do Vento.

Sendo assim, neste terceiro volume de O Cemitério dos Livros Esquecidos, estamos na Espanha de 1957. A população de Barcelona sofre com a repressão policial e o autoritarismo franquista. E um dos grandes presentes de Zafón ao mundo literário foi logo quem: Fermín Romero de Torres, um moço que esconde a todo custo um passado em conflito com a polícia espanhola.

Daniel Sempere, o protagonista de A Sombra do Vento, retorna ao mundo de Zafón casado e pai de um filho, e Fermín, o mulherengo cafajeste metido a galã, está noivo. Mas o noivado tem tudo para não chegar ao casório devido à relutância de Fermín com o seu próprio passado.

Ao contar sua história de vida para Daniel, Fermín acaba por revelar segredos de David Martín, o grande personagem central de O Jogo do Anjo. Mas não acaba aí. Muito também é revelado sobre o passado da mãe de Daniel Sempere, Isabella, que teve contato com David também no enredo de O Jogo do Anjo.

Apesar dos segredos revelados, não há como negar que O Prisioneiro do Céu foi um artifício um tanto covarde de Zafón para introduzir um conto ainda maior (que, por um acaso, foi publicado na Espanha em novembro de 2016 sob o título El Laberinto de los Espíritus e previsto para chegar ao Brasil em 2017). A trama do livro não é desenvolvida a fundo e temos apenas um Daniel Sempere sendo soterrado por informações. Não só Daniel, mas o próprio leitor é capaz de sentir uma rasteira ao fim da leitura, com suposições de um cliffhanger bem medíocre. Eu senti, e foi decepcionante.

Entretanto, pela simpatia de Zafón, pelos personagens carismáticos, pela nostalgia da Barcelona do século XX e pelo retorno a uma escrita encantadora e hipnotizante, ficam aqui minhas 3 miopias e meia.

Edição de 2012 da editora Objetiva, sob o selo Suma de Letras
ISBN: 9788581050737
248 páginas

 

Jornalismo Freelance: Empreendedorismo na comunicação
de João Marcos Rainho

Tinha esse livrinho guardado há um bom tempo e resolvi botar a leitura à frente. Tem um papel bem introdutório ao empreendedorismo na área do Jornalismo, mas aprofunda alguns aspectos da carreira/ do status de freelance do jornalista.

João Marcos Rainho procura ambientar o mercado editorial e de assessoria como os principais setores de atuação para o jornalista. E sabemos que isso é muito pouco, pois temos jornalistas atuando em comunicação visual, marketing, consultoria, comunicação online e outros tantos aspectos para além da reportagem e da assessoria de imprensa e comunicação.

Ao comentar algumas estratégias para prospecção e manutenção de relacionamento com clientes, é de se esperar que não hajam fórmulas. Ainda assim, o autor busca alguns direcionamentos tendo base no Marketing de relacionamentos, o que é bastante interessante, se pensarmos que o jornalista também deve ser dono de sua própria marca, tendo construído sua reputação no mercado.

Ser raso, entretanto, não é desculpa para uma obra que tem o intuito de ser simples e prática. Infelizmente, o mais interessante do livro são os comentários sobre a legislação do jornalista freelance, e é um tópico bastante inexplorado, levando em conta os inúmeros casos contados por esse Brasil.

Com tantos embates e conflitos sobre os direitos dos profissionais autônomos, e também as polêmicas sobre contratação de profissionais terceirizados ou de pessoas jurídicas para trabalharem como efetivos nas redações e nas assessorias, foi um ultraje perceber que a discussão é rasa e curva. Talvez pela ambição do autor em se manter firme no mercado. O que é bastante prudente no mercado da comunicação, mas indecente na produção de uma obra que comenta uma área bastante inexplorada na área jornalística. E o livro ser de 2008 não serve pra justificar: esse debate é atemporal há bastante tempo.

Edição de 2008 da editora Editorial
ISBN: 9788532304667
124 páginas

 

Harry Potter and the Chamber of Secrets
de J. K. Rowling

Muita gente pode achar que O Chamado do Cuco foi a primeira obra do gênero policial que J.K. Rowling escreveu. Mas tá longe disso, viu? Lá no comecinho da série Harry Potter, temos uma ruma de elementos da literatura policial em A Câmara Secreta.

Começa pelo mistério de algo inusitado estar prestes a acontecer quando Dobby implora que Harry não volte a Hogwarts. Todo esse suspense cria dinamicidade no exato momento em que surge a famigerada mensagem:

“A Câmara Secreta foi aberta. Inimigos do herdeiro, cuidado.”

E, como uma pessoa nojenta será sempre mal vista, as suspeitas caem logo para Draco Malfoy. Mas, não sendo Draco, quem poderia ser? Harry Potter? Hagrid? Suspeitos e mais suspeitos se acumulam numa lista de possíveis delinquentes. Sob pontos de vista diferentes, todos podem ser culpados, assim como nenhum deles.

O obscuro também chama atenção através das artes trevosas que se espalham por Hogwarts: as tentativas de assassinato, os crimes antigos, a sugestão de uma possessão. Este livro é o primeiro a forçar em Harry um amadurecimento prematuro, pois ele tem de começar a lidar com a espreita constante do perigo, a preocupação com os colegas, a responsabilidade em ser uma criança/adolescente cheio de tragédias passadas.

Retornei ao livro pela terceira vez, mas, agora, li em inglês e acompanhando o audiobook narrado pelo Stephen Fry. E, sim, continuo encantado por esse mundo.

Edição de 1999 da editora Scholastic
ISBN: 9780439064866
392 páginas

 

Fiquei bem felizinho, o próprio emoji do pintinho chocado, apesar de uns dias ocupados nos quais deixei a leitura de lado pra conseguir botar esse site LHINDO no ar. Então fiquei com aquela sensação de que poderia, sim, ter lido bem mais. Mas, agora, essa meta a gente só dobra pra fevereiro, né?

O viciado em post-its sim

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