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3 projetos em financiamento coletivo que vão ganhar o mundo

Tirar uma ideia da cabeça é tarefa complicada. Antes de tudo, o que bate é a autossabotagem, aquela voz maléfica no fundo da sua mente que insiste em dizer “Sai dessa, babaca, você sabe que não vai dar certo!” Entretanto, se a ideia é forte e fica ali na sua cabeça, insistindo em ser lembrada, o primeiro passo é pegar o papel e anotar tudo relacionado a esse pensamento.

Lidar com autossabotagem foi algo que precisei enfrentar (e continuo enfrentando a cada postagem no Desfalk) pra botar em prática meu Trabalho de Conclusão de Curso, meu próprio site e minha recém-aceita vida de freelancer. Tem gente que acha que lidar com a crítica alheia é algo pesado, mas não se toca que, por vezes, não é o medo da recepção dos outros, é o medo de como vamos nos sentir quando nosso projeto estiver concluído e começar a receber críticas e feedbacks.

Financiamento coletivo

É bem por isso que eu admiro demais quem põe a cara à tapa, teima em bater de frente com o mercado e peita o sistema, bradando em alto e bom som “Eu vou me lançar nesse mundo com meus próprios pés”. O crowdfunding, ou o financiamento coletivo, é uma forma que muita gente tem encontrado de por seus nomes no mercado, fazendo um trabalho que ama e que cativa outras pessoas.

Nessa hora, criadores são deuses. Porque superam a autodepreciação, planejam etapas, concentram esforço e mão-de-obra, conseguem engajamento e aprovação, e dão à luz uma criança (ou quase isso). E o que pode ser mais gratificante do que ter seu esforço reconhecido através de um material, produto ou projeto em que você tanto acreditou e dedicou tempo, técnica e amor?

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Família, amizade e autoconhecimento em Fisheye, de Kamile Girão

Eu poderia continuar tecendo elogios a essas pessoas, porque esse é um espírito empreendedor que pouca gente tem, como a Kamile Girão, escritora do Ceará que lançou Fisheye em 2017 através de crowdfunding. Financiamento coletivo é uma forma bastante sustentável de economia e que, por mais popular que tenha ficado no Brasil, ainda tá engatinhando por aqui. Por isso mesmo, nada melhor que indicar alguns projetos incríveis e de propostas promissoras, tanto pra dar uma força quanto pra enaltecer o trabalho dessa galera. Bora lá?

Perpétua, de Maggie Paiva

Você já se perguntou de onde veio? Buscar as raízes da família não é fácil, ainda mais se seus pais ou avós vieram de outro lugar, bem distante. Para descobrir o histórico de familiares, Maggie Paiva, que chega neste livro-reportagem como personagem ativa e narradora, buscou informações em documentos e conversas em Fortaleza, Quixadá (sertão central do Ceará) e algumas cidades do Pará.

“Perpétua” é um livro-reportagem sobre perdas, memórias e afetos com o potencial de ganhar o mundo. Mais que isso, é uma história que precisava ser contada e, uma vez contada, necessita ser conhecida.

Tudo gira em torno do Jolú, embarcação que navegava pelo rio Amazonas e Tapajós que naufragou na madrugada de 6 de abril de 1984. A narrativa dá conta de apresentar espaços, personagens e fatos que se conectam e se integram até dar forma a um mapa de vivências pelo Brasil fora do eixo Sudeste-Sul.

Perpétua estava começando sua terceira década de vida quando seguiu o marido Gedeão na empreitada de deixar o Ceará…” – início de Perpétua

Fruto do Trabalho de Conclusão de Curso em Jornalismo, o livro-reportagem nasce como uma evidente inspiração em Truman Capote e seu A Sangue Frio. Certamente, a autora estudou a estrutura do clássico romance de não-ficção de cabo à rabo e aplicou, com maestria, num produto seu. Perpétua, inclusive, foi selecionado em 2017 o Melhor Livro-Reportagem do Nordeste como produto acadêmico na Exposição de Pesquisa Experimental em Comunicação (Expocom), do Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação (Intercom).

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Divino Maravilhoso, de Daniel Macêdo

É bem importante salientar que autopublicação é uma saída tão ou mais desafiadora que encontrar uma editora interessada no trabalho. Pelo escasso apoio cultural cedido pelo Município, pelo Estado e pela União, pouquíssimos são os projetos que ganham força e repercussão. Financiamento coletivo cabe até muito bem na proposta de trabalho de Daniel Macêdo: é resistência jornalística e literária, é comunicação a partir da afetividade construída pela vida.

Daniel também decidiu trabalhar o livro-reportagem a fim de explorar as nuances de um fato. E, no caso, temos as ocupações estudantis no Ceará como marco no movimento estudantil local e nacional em momento pós-Golpe de 2016. Nele, estão unidas as vozes de estudantes de 5 entidades: Universidade Federal do Ceará (UFC), Instituto Federal do Ceará (IFCE), Universidade Federal do Cariri (UFCA), Universidade Regional do Cariri (URCA) e Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab).

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The Big Plan – Agenda de Organização

Esse é o primeiro projeto em design editorial que vejo pelas plataformas de financiamento coletivo. E, só por acaso, acontece de ser algo que têm se tornado bastante útil e presente no cotidiano de pessoas que lidam, principalmente, com atividades criativas: jornalistas, publicitários, criadores de conteúdo, designers, escritores, e por aí segue… The Big Plan, projeto de Mariana Fernandes pelo estúdio independente Modocromático, se trata de um planner todo trabalhado em temas da cultura geek e nerd.

Desde fevereiro deste ano, 2017, que organizo minha vida numa agenda semanal da qual transformei num planner. A mim, tem funcionado de maneira espetacular pra visualizar tarefas da semana e do mês inteiros, controlar gastos, anotar ideias e elaborá-las, organizar leituras, tempo de lazer, priorizar compromissos e estudos. E o melhor: nesse processo, tenho cumprido tudo até muito bem. E um planner com um estímulo visual divertido só tende a tornar esse sistema de organização mais efetivo!

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Só por um acaso, essas pessoas corajosas de botar ao mundo seus projetos são de Fortaleza. Bora transformar essa cidade, meu povo, lotar ela de trabalhos incríveis e independentes!

 

Créditos de imagens na capa:
livro Perpétua (capa), de Maggie Paiva;
Departamento de Design, Arquitetura e Urbanismo da UFC em 2016, foto de Mateus Dantas/O POVO;
The Big Plan, de Mariana Fernandes

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